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Treino-Jogo | Assimilação de conceitos

Às vezes comenta-se que os sistemas dos treinadores são complicados de assimilar. Pode, portanto, estabelecer-se um debate, uma espécie de discussão entre a liberdade do jogador no jogo e o trabalho dentro de um sistema colectivo. Eu creio que são compatíveis e que ambos devem adaptar-se às suas características.

É curioso que quando começam as pré-temporadas todos se questionam: “Como vai a temporada?”, “Estão a assimilar os conceitos de jogo que queres?”.

A valorização do que é a progressão de cada jogador num sistema de jogo tem três fases:

1. Os treinos

É o trabalho de cada dia, aquele que geralmente não é visto pelos adeptos.

Aqui geralmente acontece algo muito curioso. Nos primeiros dias de treino da pré-temporada, quando introduzimos os novos conceitos a pouco e pouco, quase todos os jogadores correspondem de forma positiva; depois, quando se vão juntando os conceitos e tem de se saber como e quando os utilizar, aí pode produzir-se uma resposta negativa. É aí que a cabeça começa a “deitar fumo” e nem sai bem o que fazíamos antes nem o que se pede agora.

Mas curiosamente quando o cenário parece negro, chega um momento em que depois de repetir e insistir, de repente, os padrões de jogo saem de forma automática e espontânea, sem ter de estar constantemente a pensar em cada movimento e como têm de jogar.

A realidade diz-nos que cada jogador se adapta a isto de forma diferente e nem todos conseguem percorrer este caminho no mesmo tempo. Ocasionalmente até há jogadores que nem o percorrem.

Em todo este processo é o treinador que deve ir vendo o melhor de cada jogador, reduzir o tempo de adaptação e conseguir a maior rentabilidade possível. Esse é o trabalho mais importante.

Ajudar o jogador a reduzir estas fases é uma arte metodológica que se modifica cada ano, na tentativa que tudo seja feito mais rápido e se assimile melhor. Alguns tardam em consegui-lo, outros nem tanto.

O jogador não deve estar subjugado ao sistema de jogo e vice-versa. Tudo tem o seu lado positivo e aqui trata-se de procurar os factores comuns que ajudem a que o produto final seja o melhor possível.

2. Os jogos de pré-temporada

São de carácter mais competitivo que o treino e ajudam a precisar melhor como está a adaptação ao jogo. Porém, não têm a tensão desportiva de um jogo oficial.

Em princípio não se preparam com o único objectivo de ganhar mas sim para ver em que ponto se encontram os conceitos que foram transmitidos à equipa e como se comporta cada jogador perante esses conceitos.

Pode dar-se o caso de haver alguma surpresa, em que o jogador no treino parece assimilar as coisas e no jogo parece perdido e faz tudo ao contrário. Os jogadores lidam de forma diferente com a pressão e a responsabilidade de saber o que fazer.

Este é um passo importante para a adaptação de um jogador, visto que por exemplo, não é a mesma coisa atacar contra os meus colegas de equipa num treino (percebem melhor como é que o vais fazer), do que contra outras equipas.

Portanto, esta segunda fase é mais importante e serve para fazer uma avaliação mais ajustada.

3. Os jogos oficiais

Pode dizer-se que é neste jogos que se “põe cada um no seu devido lugar”. Já vimos jogadores que treinavam de forma excelente, com um grande potencial, que chegariam muito longe e no entanto, quando chegava o momento da competição oficial, não lhes saía nada bem. Estes jogadores nunca conseguiram triunfar.

Esta é a realidade do Andebol, para o bem ou para o mal, não se valoriza o trabalho diário do treinador mas sim os resultados que temos em competição.

Quando os jogos se traduzem em pontos ou em ultrapassar eliminatórias de vida ou de morte, brilha o nosso “verdadeiro Andebol”. É em momentos de grande tensão de um jogo, que podemos dizer de forma peremptória que cada jogador faz o que tem “automatizado” e nesses momentos ou tens as coisas muito bem interiorizadas ou não fazes nada do que o treinador tentou incutir. É também nestes momentos que se demonstra o carácter competitivo, confiança e qualidade do muito trabalho assimilado de forma espontânea e fácil.

Por isso a única fórmula para assimilar os conceitos de um sistema e progredir é:

  • Ter interesse em querer melhorar
  • Colocar toda a dedicação pessoal necessária e todos os meios ao seu alcance
  • Acreditar que aquilo que te estão a ensinar te vai melhorar como jogador
  • Trabalhar todos os dias com a convicção de que podes melhorar e aprender algo
  • Desenvolvê-lo na competição com confiança, atitude e entrega

Finalmente dar sentido à palavra “Equipa”, percebendo que o colectivo está acima do individual.

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Jesus Javier Gonzalez

Jesus Javier Gonzalez

Jesús Javier González has a degree in Mathematics and Master Coach EHF - Handball. “Jota” Began his professional career by the hands of Juan Carlos Pastor as his assistant coach and responsible for Balonmano Valladolid´s Academy. Since 2007 he is the head Coach of Naturhouse-La Rioja - Liga ASOBAL. In 2009-10 and 2012-13 seasons was elected Coach of the year. Jesus Javier González, licenciado em Matemática e Master Coach EHF - Handball. “Jota” começou a sua carreira profissional pela mão de Juan Carlos pastor como treinador adjunto e responsável pela Academia Balonmano Valladolid. Desde 2007 é o treinador principal da Naturhouse-La Rioja - Liga ASOBAL. Em 2009-10 e 2012-13 foi eleito treinador do ano.

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