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CROTONE, ITALY - OCTOBER 23:   Josè Maria Callejon (R) and Dries Mertens of Napoli celebrate the opening goal during the Serie A match between FC Crotone and SSC Napoli at Stadio Comunale Ezio Scida on October 23, 2016 in Crotone, Italy.  (Photo by Maurizio Lagana/Getty Images)

SSC Napoli – Modelo de jogo

Depois de ter dado luta à Juventus na temporada passada, as expectativas eram altas para o SSC Napoli. A equipa de Maurizio Sarri lidou muito bem com a saída por valores recorde de Gonzalo Higuaín e começou a nova temporada com o mesmo impacto ofensivo e futebol bonito da época passada. 
Arkadiuz Milik fez o seu trabalho para ajudar os adeptos do Nápoles a esquecer Higuaín – marcou 6 golos em 5 jogos pelo clube. Contudo, a paragem para jogos internacionais trouxe péssimas notícias. Milik lesionou-se a jogar pela Polónia e encontra-se fora da equipa por vários meses.
Este acontecimento marcou o início de uma série negativa da equipa de Sarri, somando 3 derrotas consecutivas. Foi um enorme revés para o clube, especialmente na liga onde a equipa esperava acompanhar a Juventus no topo da tabela. Vamos ver o que está a funcionar e o que não está neste Nápoles versão 2016/2017.
 

Processo Ofensivo

Continua a ser um prazer ver jogar a equipa de Sarri. A bola sai sempre a jogar pela defesa, triangulações e uma dinâmica de permutas muito forte para criar superioridade numérica. Um sistema de posse complexo que assegura controlo total da bola e que é muito difícil de defender. 
Está bem patente o que Sarri quer do seu trio mais ofensivo – Insigne (ou Mertens) é o ponto que liga o meio campo com o ataque, procurando sempre atrás da linha média do adversário. Callejón dá largura no corredor direito, abrindo a defesa tanto vertical como horizontalmente. No centro do ataque, Sarri espera ter um jogador que ajuda na fase de criação mas que também procure posicionar-se para finalizar. É um equilíbrio difícil de obter para o avançado. É nesta posição que o Nápoles tem encontrado mais problemas para avançar no terreno. Era notório com Milik, e agora ainda mais com Gabbiadini, que o substituiu após a lesão. 
 
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 Aqui podemos ver que tanto Callejón como Gabbiadini procuram aparecer nas costas da defesa em velocidade, o que deixa Insigne – que descai um pouco para o meio – sem uma boa solução de passe. Acaba por ser Hamsik que sobe no meio campo para ajudar.
 
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Outro exemplo em que Gabbiadini e Callejón estão ambos a encostar a defesa do AS Roma, criando espaço, mas tem de ser Hamsik a subir para apoiar Insigne. Não é uma má dinâmica mas trás dois problemas:
  1. A equipa fica muito mais inclinada para jogar pelo corredor esquerdo. É neste corredor que tem os seus dois jogadores mais criativos e explosivos: Hamsik e Insigne. Isto é particularmente mais visível quando Allan começa de início. Piotr Zielinski é muito mais criativo e acaba por proporcionar mais equilíbrio no ataque do Nápoles.
  2. Pedir a Hamsik que suba tanto numa fase tão primária da construção é perigoso. Uma bola perdida no timming errado pode deixar a equipa numa posição difícil para o contra ataque. O que Gabbiadini deve fazer (e que Milik fazia antes da lesão) é aproximar-se para apoiar Insigne e Hamsik na fase inicial do ataque e quando a posse de bola está mais dentro do último terço, aproximar-se das zonas de finalização. Desta forma, facilitaria a penetração na defesa adversária e tornaria o ataque napolitano mais equilibrado. Ao tentar chegar tão à frente demasiado cedo, Gabbiadini acaba por se retirar do jogo e perde conexão com o resto da equipa. 
Numa equipa que tem um estilo de jogo apoiado, isto não é bom. Mesmo que Gabbiadini faça o que é suposto nesta situação, pode não ser suficiente porque lhe faltam as qualidades necessárias para concretizar. Não é um jogador para jogar de costas para a baliza. Está constantemente à procura de espaços nas costas da defesa. Quer a bola no espaço e não no pé. Isto é um problema fulcral que Sarri tem de resolver, pelo menos até Milik voltar.
 

Processo Defensivo

Agora chegamos ao verdadeiro problema do Nápoles. Mesmo com os desequilíbrios que analisámos acima, a equipa confia na habilidade técnica dos jogadores como Hamsik, Calléjon, Mertens, etc, é suficiente para a equipa dominar na maioria dos jogos. Na defesa, existe um excesso de confiança ainda maior na qualidade individual, particularmente na força física de Koulibaly, que disfarça muitas das deficiências defensivas da equipa com a sua força e velocidade.
Nápoles apenas pensa numa coisa quando o adversário tem a bola: recuperar. Esta estratégia é essencial para a filosofia de Maurizio Sarri. Assim que a equipa perde a bola, começam o “counter-pressing”, correndo com todos os jogadores possíveis para o lado em que estiver a bola.
 
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Isto pode ser muito eficaz e é uma das razões pelas quais o Nápoles é tão dominante em posse (57.3% – segundo melhor registo da Serie A). Contudo, esta estratégia pode deixar a equipa exposta se não for correctamente executada. Fisicamente é muito exigente para os jogadores. É impossível fazer “counter-pressing” durante todo o jogo. Tem de se escolher de forma inteligente quais os momentos para o  fazer  e quais os momentos para jogar um pouco mais recuado e numa defesa mais posicional. Ao tentarem fazer “counter-pressing” continuamente, criam uma pressão por vezes desorganizada e por isso mais fácil de bater. Roma explorou essa lacuna fazendo passes longos por cima da primeira linha de pressão, criando espaços dos quais os seus médios puderam tirar vantagem. 
 
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Mesmo quando o Nápoles aplica a pressão no momento certo, com a organização certa, há um problema com o lado mais fraco. Praticamente todos os jogadores se envolvem no pressing, deslocando-se para o lado mais forte do adversário (o lado da bola) e deixando o lado contrário completamente exposto, como podemos ver na imagem em cima. Isto torna a defesa mais fácil de bater e dá ao adversário um corredor sem grandes obstáculos para atacar. Pior que isso, assim que a pressão é batida o Nápoles mostra-se pouco preparado para lidar com a nova zona de ataque do adversário. A equipa tem de mudar de flanco e isso demora o seu tempo, tempo esse que em contra ataque pode ser aproveitado. Estes são os dois principais problemas que Sarri tem de resolver para tornar o Nápoles num verdadeiro concorrente ao Scudetto.

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Tiago Martins

Tiago Martins

Tiago Martins, a 26 year old passionate football fan with a deep curiosity about the inner mechanics of the game. Loves everything about Calcio. Started his blogging career at Planeta Desportivo. Tiago Martins, apaixonado pelo futebol, com 26 anos de idade com uma profunda curiosidade sobre a mecânica do jogo. Adora tudo o que está relacionado com o Calcio. Começou a sua carreira como blogger no Planeta Desportivo. Email: tiagopmartins7@hotmail.com

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