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Relações do modelo de jogo e dos jogadores

O modelo de jogo

O modelo de jogo não é nada mais que um conjunto de relações que o treinador idealiza. Sejam ofensivas ou defensivas, tudo se resume às relações dos jogadores com e sem bola. Relações que envolvem decisões e, portanto, também o individual, o jogador, cada um dos jogadores por si só. As relações podem ser grupais, intersectoriais, intrassectoriais ou colectivas. No entanto, também os jogadores criam e aperfeiçoam relações. E estas são tão importantes como as criadas, pensadas e estimuladas pelo treinador, e só advêm com o tempo de prática com os colegas.

Saber que o colega solta a bola em determinado momento vai fazer com que eu acelere ou desacelere o movimento, para ser a solução que ele pretende, quando ele pretende, onde ele pretende.

Saber que o colega é tão inteligente – que consegue percecionar tudo o que o rodeia – que lhe pode ser passada uma bola, mesmo tendo pressão, porque ambos sabem que ele vai devolver de primeira criando assim (mais) um engodo de pressão (para que o adversário precise de se ajustar).

Saber que o colega para quem eu vou passar a bola só joga com o pé direito, ou mesmo sendo esquerdino tem facilidade em usar o pé direito, ou saber que ele é tão forte na receção que a bola lhe pode ser passada sempre tensa, para ele se poder enquadrar mais rapidamente, e que mesmo não conseguindo vai ter recursos técnicos (e percetivos) para a deixar jogável.

Saber que com o jogador W na situação X devo-me aproximar e quanto me aproximar, mas que na mesma situação X um jogador Y eu não me devo aproximar tanto ou até me devo afastar.

Todos estes exemplos são poucos para a quantidade de relações que a própria dinâmica do jogo estabelece.

 

O modelo de treino

Para mim apenas faz sentido pensar o treino como o fortalecer destas relações – as relações criadas, estimuladas, pedidas, exigidas por mim. Mas também as relações que mesmo sendo eu a exigir são eles que as executam e, portanto, são eles que as aprimoram. Porque, e pegando novamente num exemplo, todos os treinadores podem ajudar o jogador sem bola no timing da ruptura. Mas só esse jogador perceberá qual o timing perfeito para iniciar ou acelerar o movimento, bem como a forma como – com que força, direcção, para onde exactamente, etc – lhe será passada a bola.

E isso varia de portador para portador, mesmo que o contexto seja exactamente igual. E essa informação terão de ser eles a perceber.

No treino a escolha dos jogadores é feita sempre a pensar nessas relações e com o objectivo de que essas relações sejam trabalhadas e aprimoradas por eles mesmos. Todos os treinos são um treino para que se conheçam (no pormenor). E nós, como treinadores, criamos o contexto ideal para eles se conhecerem, direccionando sempre pelo que queremos, mas não esquecendo que quem joga são os jogadores.

 

“Marca-me muito a companhia. Os que vão jogar à minha frente. Que recebam bem para que possa colocar o passe tenso para entre médios e defesas adversários, e assim os meus passes serem mais efectivos.”

Xabi Alonso

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Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão

Bernardo Ferrão, a 20 years old coach. Currently doing a degree in Physical Education and Sport. At the moment is coaching U16 in CF "Os Belenenses". Bernardo Ferrão, treinador de 20 anos. Actualmente a frequentar um curso de Educação Física e Desporto. Actualmente é treinador adjunto Sub-16 no CF "Os Belenenses". Email: futeboltactico14@gmail.com

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