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Psicologia do Desporto

Psicologia do Desporto

Neste artigo, escreve um dos nossos ex-jogadores, Unai Arrieta, que colabora no trabalho de psicologia do desporto com os nossos jogadores.

Nas linhas seguintes, irei tentar expor uma das componentes menos desenvolvidas no desporto de competição: a componente psicológica. No entanto, irei basear-me sempre nos conhecimentos aceites pela Psicologia do Desporto.

Segundo os especialistas em comportamento humano, o nosso êxito na vida e a nossa felicidade são determinados por 3 factores distintos: biologia (herdado geneticamente), as circunstâncias sociais (nível económico, casamento, saúde ou trabalho) e o nosso “EU” (actividade deliberada, a nossa personalidade). É certo que não podemos modificar a nossa constituição biológica e que muitas vezes temos pouco controlo sobre as circunstâncias que nos rodeiam; contudo, temos total disponibilidade para trabalhar o nosso “EU”, a actividade deliberada, a tal variável interna. Podemos melhorar a nossa forma de pensar, sentir e agir, para assim alcançarmos uma vida mais gratificante. A nossa forma de pensar, sentir e agir são três factores intimamente relacionados e que influenciam directamente os nossos sucessos, a nossa capacidade para ser eficazes na vida e no desporto.

Tal como o treino físico pretende incidir sobre variáveis físicas fundamentais para o rendimento, como a resistência, a força, a flexibilidade ou a velocidade, o trabalho psicológico, que orienta a psicologia do desporto centra-se na manipulação das variáveis psicológicas que são relevantes para a obtenção de resultados: a motivação, o stress competitivo, a auto-confiança, o humor, o nível de activação, a atenção, a tomada de decisão, a estabilidade ou a persistência, as relações inter-pessoais e a coesão de equipa.

Hoje sabe-se que os músculos e o cérebro, a mente e o corpo, trabalham de forma integrada, não só no rendimento desportivo como em qualquer actividade da nossa vida. “O que nós pensamos, nós fazemos.”. A associação entre o que os desportistas pensam que podem fazer e o que realmente são capazes de executar está comprovada pela psicologia do desporto. O pensamento determina, de facto, o comportamento de um desportista. É fundamental poder escolher o que pensamos (as pessoas são livres de escolher o que pensar) porque, em muitas ocasiões, os pensamentos determinam o que sentimos e, consequentemente, o que fazemos. Por vezes, a competição provoca altos níveis de tensão emocional e este facto pode influenciar negativamente a velocidade de reacção e a execução motora. Hoje sabe-se, por exemplo, que a afectividade se pode construir; é possível, de facto, aprender a ser activo, corajoso, seguro, confiante, motivado, criativo, etc.

Por outro lado, os jogadores precisam de se conseguirem concentrar. A nossa atenção deve estar sempre fixada nas tarefas relevantes no momento, na situação actual, e devemos evitar colocar o nosso foco no que já se passou (passado) ou no que possa vir a acontecer (futuro).

Tanto como é necessário dedicar tempo ao treino para que os jogadores adquiram e aperfeiçoem as suas capacidades físicas, técnicas e tácticas, também é preciso dedicar algum tempo para adquirir as capacidades psicológicas que podem, efectivamente, ajudar a optimizar o nosso rendimento. Está demonstrado que estabelecer objectivos, trabalhar a imagética, focar a atenção, a activação mental e relaxação, controlo cognitivo, entre outros, podem contribuir para uma melhor performance durante o treino e a competição.

São cada vez mais os profissionais do desporto que se mostram interessados em incorporar nos seus programas de treino as técnicas psicológicas, e são cada vez mais os atletas e equipas que acreditam que o treino psicológico é fundamental para optimizar o rendimento desportivo. Infelizmente, no Andebol, são poucos os trabalhos dedicados à perspectiva psicológica. Conheço a fundo as dificuldades económicas e estruturais que atravessam o nosso desporto, e isso não ajuda em nada. No entanto, a verdade é que existe um problema de mentalidade que é necessário resolver; continuamos a acreditar que os problemas se vão resolver sem uma intervenção adequada, isto é, de forma automática, como que uma consequência inevitável do trabalho duro, da maturidade e do hábito de competir. É necessário intervir!

Acredito que o Andebol tem um grande desafio e um longo caminho pela frente neste campo. As necessidades psicológicas dos atletas não são uma “invenção” de psicólogos, mas uma realidade inerente às pessoas, que devem lutar continuamente para ultrapassar os seus próprios limites e demonstrar todo o seu potencial, mesmo (e sobretudo) no contexto stressante da competição desportiva.

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Jesus Javier Gonzalez

Jesus Javier Gonzalez

Jesús Javier González has a degree in Mathematics and Master Coach EHF - Handball. “Jota” Began his professional career by the hands of Juan Carlos Pastor as his assistant coach and responsible for Balonmano Valladolid´s Academy. Since 2007 he is the head Coach of Naturhouse-La Rioja - Liga ASOBAL. In 2009-10 and 2012-13 seasons was elected Coach of the year. Jesus Javier González, licenciado em Matemática e Master Coach EHF - Handball. “Jota” começou a sua carreira profissional pela mão de Juan Carlos pastor como treinador adjunto e responsável pela Academia Balonmano Valladolid. Desde 2007 é o treinador principal da Naturhouse-La Rioja - Liga ASOBAL. Em 2009-10 e 2012-13 foi eleito treinador do ano.

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