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Juventus FC – Modelo de jogo

Juventus FC e AC Milan enfrentaram-se nos quartos de final da Coppa Italia, o que pode ser visto como uma desforra da Supercoppa que o AC Milan venceu nos penaltis. Desta vez foi a Juventus que sorriu no final com a vitória por 2-1 que os levou até à meia final contra o Napoli. Esta foi uma equipa da Juventus muito diferente em relação à última vez que se encontraram. O resultado foi diferente e a exibição dos Bianconeri foi muito melhor. O Milan provavelmente mereceu vencer a supertaça mesmo antes dos penaltis. Desta vez os Bianconeri foram claramente a melhor equipa em campo. Entre estes dois jogos muito aconteceu. Aconteceu a derrota da Juventus frente à Fiorentina e isto fez Max Allegri voltar a questionar-se a si e à sua equipa. Voltou com respostas diferentes. Respostas que podem alterar consideravelmente a forma como a Juventus vai jogar até ao final da época.

A derrota em Florença revelou dois grandes problemas do 1-3-5-2 da Juventus. Primeiro, perderam o meio campo (3 homens contra 4 da Fiorentina). Segundo, e mais importante, a equipa mostrou grande dificuldade na construção. A Fiorentina pressionou muito alto no campo e mesmo quando a Juventus conseguia ultrapassar a pressão inicial não conseguiu levar a bola até aos avançados. Por isso Allegri, sendo o treinador anti-dogmas que é, mudou tudo. Abandonou a defesa com 2 jogadores e apresentou a sua equipa em 1-4-2-3-1 contra a Lazio na jornada seguinte. A Juventus ganhou 2-0 e fez um dos melhores jogos em meses. Como dita a lógica, Allegri manteve a nova formação contra o Milan.

Esta formação permite a Allegri alinhar com todos os seus melhores jogadores. Higuaín na frente. Dybala no meio, Cuadrado na direita e Mandžukić na esquerda. Pjanić e Khedira no meio campo. Bonucci e Rugani foram os parceiros no centro da defesa, com Asamoah na esquerda e Barzagli na direita. A Juventus defendeu num 1-4-4-2 muito compacto. Essa compactação foi especialmente notada horizontalmente. Quando a bola estava no corredor esquerdo, Cuadrado vinha até ao centro. Os 11 jogadores da Juventus estavam em meio campo. Este bloco condensado tornou muito difícil para o Milan jogar no meio campo da Juventus.

 

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Contudo a grande vantagem da Juventus, foi o seu pressing. Higuaín pressionou os defensas centrais, Dybala marcou Locatelli e o Milan não teve outra opção a não ser jogar nos corredores onde a Juventus tinha sempre dois jogadores a defender, com o apoio próximo de um terceiro jogador, normalmente o médio defensivo, por vezes o defesa central.

 

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A primeira função de Higuaín e Dybala foi tirar Locatelli do jogo e fizeram-no de forma perfeita. Mesmo quando o playmaker conseguia ter bola, não tinha praticamente tempo para pensar e executar. Quando a Juventus queria pôr ainda mais pressão, Higuaín e Dybala pressionavam os defesas centrais e um dos médios centros marcava Locatelli. Isto fez grandes estragos na fase de construção do Milan.

 

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A equipa de Montella mostrou uma dinâmica interessante no ataque. O Milan apresentou-se no seu habitual 1-4-3-3 que se tornava num assimétrico 1-3-3-4 quando estava em posse. Abate subiu pelo corredor direito com Suso a vir para dentro entre linhas. Kucka ficou recuado e bem aberto para proteger as subidas de Abate. Por outro lado, Antonelli raramente subia no flanco, estando mais vezes perto de Romagnoli e Zapata. Bonaventura manteve-se aberto, enquanto Bertolacci subiu para explorar o espaço entrelinhas

 

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Esta dinâmica podia ter provocado vários problemas à Juventus, especialmente quando Suso recebia a bola entrelinhas e conseguia fazer uma rápida variação de jogo. Contudo, com Locatelli a ser tirado do jogo, não havia ninguém para lhe fazer chegar a bola. As poucas vezes que Suso conseguiu fazê-lo, Cuadrado estava atento e fechou muito bem o corredor direito.

 

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O pressing do Milan foi competente, mas não o suficiente para desafiar Bonucci e Rugani. O Milan pressionou em 1-4-1-4-1 a tentar dividir os centrais da Juventus mas deixou sempre um deles livre. Muitas vezes Pjanić recuava para vir buscar a bola e ajudar na construção. Quando não havia outra opção para jogar no meio campo, Bonucci usou a sua fantástica capacidade de passe longo para aproveitar as disputas no ar entre Mandžukić e Abate. Foi assim que o seu primeiro golo foi criado.

 

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A grande diferença na abordagem da Juventus foi no meio campo. Agora estão mais fortes, com 4 jogadores em vez de 3 e muito melhor com bola. Escolhendo Pjanić e Khedira, deixando de fora jogadores como Sturaro e Rincón, diz muito sobre o que Allegri quer dos seus médios centro. Quer mais técnica, mais tempo e qualidade com bola e consegue isso com Pjanić mais profundo no campo. Mais técnica no meio campo significa que Dybala não precisa de recuar tantas vezes e pode estar mais perto de Higuaín onde pode ser mais perigoso.

 

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Mudando de 3 para 4 defesas tem os seus desafios. Os centrais da Juventus estão habituados a seguir as referências individuais, saindo da linha para pressionar forte nos espaços entrelinhas, sabendo que qualquer erro tem a cobertura do terceiro defesa. Já tinha jogado com 4 antes mas em 1-4-3-1-2, onde havia muito mais apoio do meio campo. Este não é o caso do 1-4-2-3-1/1-4-4-2. Os defesas da Juventus agora têm de ter uma abordagem mais virada para as referências espaciais. 

 

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No fundo, este é uma versão da Juventus com muito mais confiança e qualidade na posse. Isto tornou-os numa equipa mais perigosa a atacar e mais capaz de controlar o jogo através da posse de bola.

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Tiago Martins

Tiago Martins

Tiago Martins, a 26 year old passionate football fan with a deep curiosity about the inner mechanics of the game. Loves everything about Calcio. Started his blogging career at Planeta Desportivo. Tiago Martins, apaixonado pelo futebol, com 26 anos de idade com uma profunda curiosidade sobre a mecânica do jogo. Adora tudo o que está relacionado com o Calcio. Começou a sua carreira como blogger no Planeta Desportivo. Email: tiagopmartins7@hotmail.com

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