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Rui Oliveira

A opinião de Rui Oliveira

Motivação para o Sucesso

 

Sucesso! Palavra que significa “ter êxito em alguma coisa”!

Do ponto de vista desportivo, penso que poderemos dividir o sucesso em quatro vias diferentes:

1 – Aqueles que fazem a sua carreira desportiva com dedicação e como bons praticantes da sua modalidade preferida, mas sem títulos nem ganhos financeiros;

2 – Os que tendo talento, não conseguem ter, nem sucesso desportivo nem financeiro;

3 – Aqueles que, com talento, até conseguem bons pecúlios, ganhando muito dinheiro, frequentemente em diferentes clubes e em diferentes países, mas que não conseguem ganhar títulos;

4 – Por fim aqueles que ganham títulos e dinheiro.

 

Irei ocupar-me do segundo e terceiro grupo.

Durante o processo de formação de jogadores, ao longo dos anos, fui verificando que muitos jovens de elevado potencial, perdiam-se no duro trajecto até ao futebol profissional. Esta constatação e a verificação da ascensão de outros, às equipas de topo, levou-me a refletir e pesquisar sobre os factores que influenciam a conquista de “cumes” diferentes.

 

Começando, precisamente, pelos jovens com talento que “desaparecem” durante o seu percurso formativo, encontramos diversos factores. Um dos factores está intimamente ligado à postura dos pais. Primeiro temos os pais que, absolutamente convencidos que o filho vai ser uma superestrela, querem “treiná-los”, sobrepor-se aos treinadores nas decisões e instruções. A par com esta situação, surgem também os pais que procuram “pôr os filhos a leilão”, quando aparecem os clubes, chamados grandes, a tentar a sua contratação. Ao longo de 30 anos, nunca conheci um jovem, com estes enquadramentos, que tivesse chegado à Primeira Liga. Conheci um guarda- redes (que se enquadra na descrição acima), absolutamente fabuloso (enquanto iniciado/juvenil), que apenas jogou na segunda Liga, sem nunca atingir patamares para os quais tinha enormes capacidades.

 

Depois, temos jovens com absoluta falta de motivação intrínseca, ou mesmo com falta de objectivos, muitas vezes sem vontade de aprender e, por vezes, desviados por outros interesses ou mesmo pelos amigos e que acabam “por passar ao lado de uma grande carreira”. Podia referir inúmeros nomes, mas não pretendo expor ninguém, até porque tenho um enorme respeito por todos. No entanto posso referir um nome que é público e que passou em reportagem na Sport Tv – Pêpa – vale a pena ver essa reportagem, pela enorme coragem da sua exposição e pelo enorme exemplo que deixa aos mais novos.

No meio destes existem aqueles que, graças à sua qualidade técnica, conseguem jogar em diferentes clubes, muitas vezes, apenas uma época seguida em cada um, auferindo bons salários, mas sem nunca atingirem o sucesso desportivo, com conquista de títulos.

 

Para terminar esta crónica vou referir mais dois exemplos contrastantes, que também são públicos e poderão ser vistos no youtube – Fábio Paim e Cristiano Ronaldo, por coincidência formados no mesmo clube, no mesmo espaço temporal, com os mesmos formadores e com imenso talento, que muito prometia.

Nessas entrevistas, ambos com praticamente a mesma idade, dão respostas completamente opostas, fruto de motivações diferentes – Cristiano fazendo apelo a toda a sua motivação interior, à sua paixão e ao seu grande objectivo – Fábio exteriorizando a sua motivação extrínseca, pura e simplesmente.

No final do torneio anual do CAC e após ter sido o melhor marcador do mesmo, entrevistaram Fábio Paim. Diz a entrevistadora: – “…Depois de te formares, se fores chamado a jogar noutro clube, se achares que é bom para ti, o que fazes?”, resposta do Fábio: – “Conforme o contrato…”, de novo a entrevistadora: – “e depois a paixão da camisola como é que fica?”, resposta do Fábio: – “fica no bolso…”. 

Cristiano Ronaldo questionado sobre o que gostaria de ser no futuro respondeu: – “Gostava de ser o melhor jogador do mundo!”. 

 

Termino deixando uma citação de Dalai Lama:

“Determinação, coragem e autoconfiança são factores decisivos para o sucesso. Não importa quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos superá-los. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, recatados e despidos de orgulho”.

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Rui Oliveira

Rui Oliveira

Co-founder of Player-rate (www.player-rate.com) – Consulting. Is one of the most respected teachers in Portugal. With UEFA B coaching license and a post-graduation in Youth Training, Rui Oliveira has worked as a coach from grassroots to senior team of SL Benfica, during 19 years, also as a Technical Coordinator of youth and Coordinator of the prospecting department. Is a member of the Youth and non-professional committee of the Portuguese Football Federation since 2012. Co-fundador do Player-rate (www.player-rate.com) – Consultoria. É um dos professores mais respeitados em Portugal. Tem a licença UEFA B e uma pós-graduação em Treino de jovens. Rui Oliveira trabalhou durante 19 anos como treinador em todas as camadas jovens e nos séniores do SL Benfica, bem como Coordenador técnico da formação e Coordenador do Departamento de Prospecção. Desde 2012 é membro da Comissão para o Futebol jovem e não profissional.

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