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Rui Oliveira

A opinião de Rui Oliveira

Por Favor, deixem jogar os miúdos!

(parte 1)

 

Cada dia que passa, torna-se mais difícil aos observadores descobrirem talentos nos escalões etários até aos iniciados (sub 15), já que estas crianças são cada vez mais semelhantes nas suas capacidades. São os aspectos da motivação intrínseca, os aspectos volitivos (i.e. relacionado com a sua vontade) e da capacidade de trabalho, que vão ajudando a perceber aqueles que poderão vir a ter mais sucesso no futuro.

 

Como tal compete aos treinadores, principalmente aqueles que treinam os Petizes, Traquinas e Benjamins, perceber que fazer um bom trabalho é transportar a rua para dentro do clube. É preciso deixar as crianças jogar, de forma organizada, possibilitando o maior tempo de prática possível, e baterem-se por encontros de jogos reduzidos (3vs3; 4vs4; 5vs5) todos os fins-de-semana, com as seguintes características:

  • 3 ou 4 clubes diferentes
  • Crianças divididas em pequenos grupos
  • Sem substituições
  • Mini jogos – tempo reduzido
  • Mini campos – marcados apenas com cones e cones altos a fazer de balizas

 

Poderemos referir claras vantagens:

  • Dar espaço e tempo ao crescimento de cada um dos jovens, sem ligar a tamanhos ou capacidades individuais (para aquele momento)
  • Aprender a jogar, jogando
  • Deverão rodar pelas diferentes posições, já que nenhum de nós tem uma bola de cristal, que permita determinar nestas idades qual a melhor posição para cada um
  • Ajudar estes jovens a perceber as dificuldades de cada posição, assim como permitir observar onde é que eles se sentem mais à vontade e onde poderão vir a ter mais rendimento
  • Tocarão muito mais vezes na bola realizando assim mais acções técnicas, sejam elas ofensivas ou defensivas, acertando e errando, o que faz parte do seu processo de crescimento
  • Ao terminar o tempo do seu jogo, rodarão de campo, iniciando novo desafio, com novos adversários, novos problemas e de novo com o jogo a zero, podendo voltar a ganhar, perder ou empatar, mas sempre com nova motivação na busca de um resultado positivo
  • Poderão fazer, de 4 a 12 jogos, no mesmo dia – tempos de jogo diferentes, em função do número de jogos a realizar
  • Menor ou nenhuma intervenção dos treinadores, já que não conseguirão andar, por 3 ou 4 campos a dar instruções constantes – treinadores joystick. Possibilita que os jovens criem, decidam por si próprios, tanto nas boas decisões como nas menos boas, mas juntando as suas habilidades e as suas decisões aos problemas que em cada momento de jogo lhes são postos
  • Sem árbitros ou com outros miúdos da mesma idade a arbitrar

 

Por fim deixar a mensagem para aqueles que têm a difícil tarefa de formar, que não deverão ter medo de fazer “pouco”, porque este “pouco” será sempre muito, desde que se respeitem as diferentes etapas de crescimento.

Ganhar é importante, mas formar os jovens, individualmente, a serem melhores no futuro é, sem qualquer dúvida o melhor dos trabalhos que poderão realizar.

Por favor,  deixem as crianças jogar!

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Rui Oliveira

Rui Oliveira

Co-founder of Player-rate (www.player-rate.com) – Consulting. Is one of the most respected teachers in Portugal. With UEFA B coaching license and a post-graduation in Youth Training, Rui Oliveira has worked as a coach from grassroots to senior team of SL Benfica, during 19 years, also as a Technical Coordinator of youth and Coordinator of the prospecting department. Is a member of the Youth and non-professional committee of the Portuguese Football Federation since 2012. Co-fundador do Player-rate (www.player-rate.com) – Consultoria. É um dos professores mais respeitados em Portugal. Tem a licença UEFA B e uma pós-graduação em Treino de jovens. Rui Oliveira trabalhou durante 19 anos como treinador em todas as camadas jovens e nos séniores do SL Benfica, bem como Coordenador técnico da formação e Coordenador do Departamento de Prospecção. Desde 2012 é membro da Comissão para o Futebol jovem e não profissional.

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