Skip to main content

A evolução tecnológica no futebol

“Vivemos num mundo em que estamos rodeados de tecnologias, e o futebol não a pode evitar”. A frase é de Pierluigi Collina e é demonstrativa do papel fundamental que os meios tecnológicos desempenham na modalidade, sendo actualmente uma ferramenta fundamental para todos os agentes desportivos. As ferramentas tecnológicas são utilizadas de várias formas e com diferentes propósitos, tanto para elevar o rendimento desportivo dos atletas e das equipas como até mesmo para aumentar a eficácia das decisões dos árbitros.

 

Tecnologia no futebol

O futebol é uma das principais modalidades desportivas e rapidamente integrou a tecnologia no seu mundo. Hoje em dia, por exemplo, muitos jogadores utilizam dispositivos que permitem a monitorização das distâncias percorridas no jogo (GPS) ou da sua frequência cardíaca (cardiofrequencímetro). Mais recentemente, o vídeoárbitro foi implementado com o objectivo de auxiliar os árbitros nas decisões de maior dificuldade. Em 2015 assistimos também à implementação do sistema de linha de baliza, que assinala o momento em que a bola ultrapassa na totalidade a linha de golo. E, naturalmente, a grande maioria das equipas já utilizam softwares de análise de rendimento, que permitem analisar as acções individuais e colectivas durante todo o jogo.

 

A importância do video

A observação visual das movimentações não permite qualquer registo das mesmas, pelo que o vídeo surgiu como resposta a este problema; passou a ser possível registá-las, revê-las, identificar os seus aspectos chave e proceder a eventuais correcções. O contributo do vídeo tornou-se por isso fundamental, e hoje em dia é um instrumento indispensável para a grande maioria das equipas técnicas, já que a sua utilização permite examinar com detalhe os comportamentos da própria equipa e dos adversário, em qualquer local e a qualquer hora.

 

Porque surgiu a análise de vídeo

Há muitas razões que comprovam os benefícios na utilização do vídeo, já que permite, por exemplo, desenvolver individualmente os nossos jogadores, aumentar a objetividade das nossas avaliações e feedbacks que incidem sobre o rendimento individual e colectivo, enriquecer o processo de análise dos adversários desenvolvendo uma melhor preparação para a competição e aperfeiçoar o processo de recrutamento de novos jogadores para a nossa equipa.

 

A importância da análise colectiva e individual

Sérgio Conceição, actual treinador do FC Porto, referiu no livro Observar para Ganhar de Nuno Ventura que “analisar a própria equipa e o adversário é um factor essencial para o trabalho de um treinador”. José Mourinho, em entrevista ao Expresso, menciona: “para mim, a análise ao adversário é muito importante, porque jogo em relação ao adversário e defino o treino em relação a isso”. Estas duas declarações ilustram bem a importância que os treinadores mais bem sucedidos atribuem ao processo de observação e análise do adversário e da sua própria equipa, demonstrando que é uma componente fundamental que influencia não só o jogo propriamente dito mas também o microciclo de preparação que antecede a competição.

Imaginemos agora que estamos a analisar um vídeo do nosso próximo adversário e identificamos 3 situações distintas relativamente ao seu processo defensivo: o ponta-de-lança não pressiona o portador da bola, não há coberturas ao médio defensivo quando este sai na pressão e o lateral direito está muito afastado do central desse mesmo lado.

 

Imagem_dist_ncia_intrasectorial

Um exemplo claro de um erro bastante comum: um buraco entre o central e o lateral.

 

Depois de identificarmos estas fraquezas, decidimos que os nossos centrais devem ter um papel fundamental na 1ª fase de construção do processo ofensivo, que devemos potenciar situações de 2×1 na zona intermédia defensiva do adversário e que o nosso extremo esquerdo deve atacar a profundidade na zona que separa o lateral direito do central direito. Identificada a forma como iremos explorar as fraquezas do processo defensivo adversário, treinamos estes mesmos comportamentos na semana que antecede a competição.

Como podemos perceber, o plano estratégico para este jogo em particular está mais enriquecido porque procedemos à observação e análise do nosso próximo adversário, e estaremos mais próximos da vitória através do auxílio do vídeo. Para além dos aspectos referidos, é igualmente relevante acrescentar a análise ao processo ofensivo do adversário (ex: jogadas padrão, jogadores mais influentes), às transições (ex: zonas onde recuperam mais bolas, atitude inicial após a perda/recuperação da bola) e aos esquemas tácticos (ex: posicionamentos, zonas para onde a bola é direcionada), incluindo também uma análise ao plano individual, isto é, ao perfil de cada jogador, os seus pontos fortes/fracos, etc.

 

São muitas as variáveis que determinam o resultado final de um jogo de futebol. Contudo, conhecer a nossa própria equipa e o adversário que vamos defrontar reduz consideravelmente o grau de incerteza do resultado, e aproxima-nos objectivamente do sucesso.

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *