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A construção a 3

São muitas as equipas que hoje em dia defendem numa estrutura de 1-4-4-2. Esta moda não é recente, e chegou ao seu pico de perfeição com Simeone, que o aplicou no seu Atlético de Madrid. Esta estrutura consegue ser defensivamente eficaz devido à existência de duas linhas de 4 que facilitam o controlo da profundidade e da largura. Para além destes benefícios, permite que os dois pontas-de-lança pressionem os defesas centrais adversários, retirando-lhes tempo e espaço para decidirem e executarem da melhor forma.

Como resposta lógica a esta moda, muitas equipas acrescentaram um outro jogador à fase de construção, para auxiliarem os defesas-centrais na fase de construção. A ideia principal por trás desta mudança é a criação de uma situação de superioridade numérica em zona recuada, permitindo que haja pelo menos um jogador livre para executar a construção de jogo da equipa. Hoje em dia, esta é uma forma de abordar o jogo que se verifica na grande maioria das equipas Europeias de topo. Mas nem todas as equipas o fazem da mesma forma.

A forma mais simples e fácil de assegurar que temos 3 jogadores na fase de construção é utilizar um sistema de 3 centrais. Este tipo de sistemas está novamente em voga no futebol Europeu, e uma das principais razões que sustentam este regresso é o facto de se criarem superioridades numéricas em zonas recuadas (para além das naturais preocupações defensivas que também sustentam esta escolha). A equipa do Chelsea é provavelmente o exemplo mais notório.

 

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A construção a partir de trás não é limitada a sistemas tácticos com três defesas. Treinadores que utilizam outros sistemas tácticos criaram outras estratégias para ter o 3º homem a auxiliar os defesas centrais na fase de construção. Pode ser argumentado que isto é uma forma muito mais flexível de se resolver o assunto; uma construção a 3 pode não ser sempre necessária, já que diferentes adversários e determinadas situações de jogo requerem outro tipo de abordagens. Quando a situação assim o requer, estas equipas conseguem, de uma forma flexível, envolver um terceiro jogador na fase de construção.

A forma mais comum de o conseguir é através da “Saída Lavolpiana”. Esta é atribuída a Ricardo La Volpe quando era seleccionador da Selecção Nacional do México, e ganhou notoriedade no Barcelona de Pep Guardiola. Na “Saída Lavolpiana”, um médio recua para junto dos centrais na fase de construção, e este movimento influencia o resto da equipa (os defesas laterais podem dar profundidade à equipa e os extremos deslocam-se para dentro ocupando os espaços interiores). Um 1-4-4-3 transforma-se assim num 1-3-4-3.

 

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O Inter de Spaletti e o Real Madrid de Zidane aplicam uma variante da “Saída Lavolpiana”. Em vez do médio recuar para o espaço entre os dois centrais, posiciona-se ao lado de um deles. Esta é uma forma mais rápida e subtil de chegar ao mesmo objectivo e elimina o perigo associado à “Saída Lavolpiana”, evitando uma maior distância intra-sectorial entre os dois centrais para acomodar a entrada do médio.

 

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Estas são algumas das diferentes estratégias que possibilitam a criação de superioridades numérica durante a fase de construção, mas que também podem ser facilmente anuladas. Para ganhar uma vantagem real, as equipas necessitam de criar vantagens espaciais através de posicionamentos e distâncias inter/intra sectoriais adequadas aos contextos do jogo. Mas este é um tópico a desenvolver num outro momento.

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Tiago Martins

Tiago Martins

Tiago Martins, a 26 year old passionate football fan with a deep curiosity about the inner mechanics of the game. Loves everything about Calcio. Started his blogging career at Planeta Desportivo. Tiago Martins, apaixonado pelo futebol, com 26 anos de idade com uma profunda curiosidade sobre a mecânica do jogo. Adora tudo o que está relacionado com o Calcio. Começou a sua carreira como blogger no Planeta Desportivo. Email: tiagopmartins7@hotmail.com

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